O que é o preparo para o parto?

Foto:   Demkat   @ Freepik

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Desde o início da gestação, o corpo começa a passar por mudanças como uma forma de se preparar para o avanço da gravidez e para o parto. São mudanças físicas, fisiológicas, hormonais e psicológicas, que acontecem com todas as gestantes e que são necessárias para que o corpo consiga gerar o bebê.

Há um aumento do fluxo sanguíneo que pode chegar a 50% do volume “normal”, o que explica o cansaço relatado pelas grávidas, o aumento do abdômen favorece o surgimento de inchaço, principalmente em membros inferiores, dificuldade para respirar devido à falta de espaço para a expansão do diafragma, dentre outras alterações que justificam e muito, que a mulher busque uma preparação para a gestação e o parto. Além disso, há alterações posturais que geram enfraquecimento de determinados músculos que, somadas ao aumento de peso, causam uma perda progressiva de função em determinados grupos musculares, inclusive no assoalho pélvico, região que participa ativamente do trabalho de parto.

Pensando em um trabalho fisioterapêutico, o preparo para o parto, ao contrário do que se pensa, tem início a partir das 12 semanas e vai até o final do último trimestre, que é quando começam as técnicas específicas para o parto propriamente dito.

Muitas pessoas perguntam: mas por que começar no início se as técnicas específicas para trabalho de parto só serão feitas no final?

O trabalho deve começar no início porque estamos falando de um preparo muscular e corporal e, tendo em vista que várias musculaturas perdem força e função no decorrer da gestação, quanto antes começarem os estímulos, maior a possibilidade de preservar a função que os músculos têm, fazendo com que as perdas de funcionalidade sejam as menores possíveis.

Sendo assim, de forma geral, no segundo trimestre o objetivo da fisioterapia é trabalhar fortalecimento e relaxamento muscular, consciência corporal, respiração e o que mais a gestante precisar para manter o corpo em equilíbrio. Já no terceiro trimestre, o objetivo do trabalho passa a ser o alongamento e relaxamento da musculatura pélvica, que são intensificados a partir das 34 semanas, através do uso de procedimentos como massagem perineal, epi-no*  e outras técnicas que tenham como objetivo relaxar a região perineal e trazer consciência dessa região para a mulher.

Fisioterapeuta auxilia paciente no exercício. Foto: Shutterstock

Fisioterapeuta auxilia paciente no exercício. Foto: Shutterstock

Além disso, é nessa fase que a mulher começa a treinar os movimentos que irão favorecê-la durante a fase ativa do parto, principalmente no período expulsivo, tendo como objetivo facilitar o processo e prevenir lacerações.

É importante lembrar que esse “treino” é uma simulação dos movimentos que a mulher fará durante o período expulsivo e não uma simulação de trabalho de parto. É comum surgir essa dúvida entre as pacientes, portanto, é necessário lembrar que durante o parto haverá vários hormônios agindo, um ambiente propício e muitas outras coisas que não conseguimos reproduzir em consultório. Sendo assim, o que trabalhamos, principalmente com o epi-no, é um treino de coordenação e consciência corporal para que a gestante aprenda os movimentos que irá fazer durante o período expulsivo do trabalho de parto.

Outro fator importante para ser frisado é que, embora todo o trabalho seja feito tendo como um dos objetivos prevenir a ocorrência de lacerações, nós não podemos garantir que isso irá acontecer. As lacerações têm causa multifatorial e há coisas que não podemos controlar, logo, a fisioterapia trabalha como prevenção e, caso aconteça algum trauma perineal, sabemos que uma musculatura que já foi trabalhada é mais fácil de reabilitar. Portanto, as perdas de um grupo muscular mais bem preparado são menores.

Isso não significa que se a mulher não começou a fisioterapia no início da gestação não terá benefícios fazendo no final, pois como o objetivo é estimular os músculos, em qualquer momento esse estímulo é bem-vindo e fará bem à gestante. Além disso, trabalhar a consciência corporal e a respiração em qualquer momento da gravidez é benéfico tanto para a mulher quanto para o bebê.

O que as evidências científicas mostram é que os benefícios de fazer um preparo para o parto são vários e que de fato há uma prevenção de lesões e uma reabilitação mais rápida no pós-parto.

Venha conhecer mais sobre esse trabalho! A Corpus tem uma equipe de especialistas pronta para te atender e tirar todas as suas dúvidas! Entre em contato através de nossa Central de Atendimento (61) 3041-8778 e venha nos fazer uma visita.

 

*Nota: O Epi-No é um dispositivo alemão que realiza treinamento do assoalho pélvico e da vagina para o parto. É formado por um balão em silicone, conectado a um medidor de pressão, que simula a cabeça do bebê.

O nome do aparelho vem de “Episiotomia-não”, pois reduz a chance da realização deste procedimento no momento do nascimento do bebê.

O treino é realizado sob supervisão de um fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico. O balão de silicone será introduzido no canal vaginal e insuflado progressivamente permitindo um alongamento da musculatura perineal. Com o balão ainda insuflado é feito o treino da força expulsiva, simulando o controle muscular necessário durante o nascimento do bebê.